Me sinto preocupada sobre quanto eu estou consciente de mim mesma. Me sinto sufocada quando eu imagino tantos futuros, caminhos, destinos que eu poderia seguir, quando a realidade é que eles estão bem longe de mim.
Me agonia essa minha insatisfação constante com o mundo. A vontade de conhecer gente nova, de trocar de conhecidos como troco de roupa, de nunca parar quieta num lugar. Essa vontade de ter uma vida sem rotina, com novidades diárias; onde o tempo não para. Me pergunto se desse jeito eu me sentiria satisfeita.
Mas e se não? E se mesmo assim eu não me sentisse satisfeita…completa?
A verdade é que, por mais que eu queira conhecer pessoas novas o tempo todo, tem uma que eu queria experimentar conhecer só por um dia. Pra confirmar (ou não) que é ela que eu quero acordando ao meu lado pelo resto dos meus dias agitados.
Só um dia, eu queria poder parar na sua frente, abrir meu melhor sorriso, sentir a cada segundo meu coração batendo violentamente contra o meu peito e dizer: Prazer em te conhecer.
Só por um dia, eu queria poder sentir a excitação de, por acaso, virar na próxima curva e te encontrar lá. Dizer casualmente um simpático “oi” e sentir vontade de morrer porque você respondeu.
Só por um dia, olhar para o meu celular e ficar na dúvida entre te mandar uma mensagem ou não. Mas, não importa o que eu escolhesse, quem liga? Eu teria o número do seu celular!!
Só por um dia, ficar te observando de longe. Olhando suas expressões e sorrisos, rindo e falando com os amigos. Apenas alguns metros longe de você.
Só por um curto dia, poder olhar nos seus olhos. Responder ao seu sorriso. Te fazer rir com uma piada sem graça que eu contei errado. Te provocar com alguma brincadeira boba. Quem sabe cantar algumas músicas juntos. Dizer “sim” se você me perguntar se eu gostaria de ir a um encontro com você.
Só por um dia, eu queria fazer parte do seu mundo. Existir ao seu lado, tentando te entender mais e mais. Só por um dia.
E nesse dia, ver a sua reação quando eu dissesse que você é a única pessoa que tem estado na minha mente antes de dormir. E depois sorrir, começar a andar na sua frente, virar pra trás rindo e perguntar: você não vem?
Só por um dia, sentir a maravilhosa sensação de ter você pra mim. De segurar sua mão. De sentir seus braços me envolvendo, como deveria ser.
Ou menos que isso, até. Só queria, um dia, poder passar ao seu lado e ver que você é real, não só um ser inventado pela minha mente criativa e fértil só pra me satisfazer. Que você é bom demais, mas que é de verdade.
Só por um dia, saber que você sabe meu nome, de onde eu vim. Que eu gosto mais de frio do que de calor, qualquer sabor de sorvete é bom pra mim, que minha risada é escandalosa e eu odeio números. Saber que você conhece o tom da minha voz, e que se eu te chamar, você atenderá.
Só por um dia, viver uma vida que não foi feita pra mim; e sabe-se lá se foi feita pra alguém.
Seja esse alguém quem for, eu o invejo.
Porque, sem pestanejar, duvidar ou pensar, eu trocaria um milhão de dias agitados, sem rotina e incríveis por um dia com você.
Acho que se eu algum dia te conhecer, vai sair tudo de uma vez:
Oi, prazer, meu nome é Heidi, sou brasileira, eu gosto mais de frio do que de calor, qualquer sabor de sorvete é bom pra mim, minha risada é escandalosa, talvez você possa confirmar isso mais tarde, e eu odeio números, qual é o número do seu celular? Vou contar uma piada, olha, vamos cantar uma música? Eu gosto de você, me abraça?
Daí você me acharia estranha. E por mais que minha mente seja criativa e fértil, eu já não posso mais dizer se isso tudo acabaria bem ou não.
Mas de qualquer jeito, eu continuo sonhando com mil futuros, caminhos, destinos. Quem sabe, a gente não se encontra na próxima curva?
Eu ainda sonho com esse dia.